domingo, 22 de julho de 2012

Voto: Eleitores paraenses estão mais instruídos

O maior percentual do eleitorado paraense (26,33%) está na faixa etária de 25 a 24 anos e possui ensino fundamental incompleto (37,39%). Os números de Belém também não se distanciam dessa realidade - na capital do Estado, 24,81% dos eleitores têm entre 25 e 34 anos e 33,54% ainda não terminaram o ensino fundamental. Mas esse perfil está mudando aos poucos. A cada eleição, cai o número de eleitores analfabetos, que só sabem ler ou escrever, ou que possuem o ensino fundamental incompleto, e aumenta o percentual daqueles que possuem ensino médio ou superior. Além disso, nesse perfil revelado pelo TSE, um público se destaca: aqueles que não são obrigados a votar representam 9,44% do eleitorado (ou 481.314 pessoas) do Estado e 8,93% (90.148 pessoas) de Belém.
Apesar do voto ser facultativo para os que possuem 16 ou 17 anos ou mais de 70, muitos cidadãos nessa faixa etária fazem questão de ir às urnas. É o caso da aposentada Dolores de Morais Rayol, que não desperdiça o direito que tem de manifestar a opinião durante esse período. 'Voto todo o ano. Quando eu vejo que um candidato merece o meu voto, saio de casa para votar nele. É o prazer que eu tenho', afirma Dolores, que também não fica calada quando o político em que ela depositou sua confiança deixa de atender suas expectativas. 'Eu cobro as boas ações que ele pratica, porque quando ele não pratica eu falo mesmo dele. Se a gente tem o trabalho de dar o voto com tanta satisfação, porque eles não procuram agradar o povo. Não gosto de perder meu voto', complementa.
Para essas eleições, a aposentada ainda está analisando os nomes que disputam a Prefeitura de Belém. 'Estou vendo quem merece governar a cidade, porque dos que já passaram por aqui, nenhum merece confiança', avalia.
Ela conta, ainda, que sempre procura estar por dentro das notícias que envolvem política ou o município onde vive. 'Acompanho Jornal Nacional e gosto muito da Globo, para ver o que se passa na cidade', revela.
Dolores acredita que, na hora de escolher o candidato, é preciso levar em consideração as atitudes dele. “Ver se ele tem personalidade para sentar em uma cadeira e governar a cidade. Ele precisa ter um pouco de educação, de instrução e respeito pelo voto que o povo dá. Mas, infelizmente, a maioria do nosso povo ainda tem mente fraca, porque se tivesse mente boa como o sulista tem. Olha a derrota que a Dilma (Rousseff) levou no Sul. Mas, infelizmente, ela levou voto no Norte e Nordeste porque se não tivesse, ela não teria ganhado essa eleição”, avalia a aposentada, que revela não gostar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por acreditar que ele não tinha instrução para administrar o País.
O grande interesse que a aposentada tem por política surpreende até mesmo a família dela. “Eles só ficam rindo para mim, de ver o meu desembaraço, o meu modo de querer votar. Porque olha, eu só tenho idade, mas a minha mente é de gente nova”, enfatiza. No entanto, Dolores revela que só vota para prefeito, governador e presidente. Quando deve escolher alguém para ocupar o cargo de vereador ou deputado, ela prefere anular o voto. “Porque ainda não apareceu um que prestasse, que fizesse por nós aqui. O nosso minério está estragando, indo embora, e eles não fazem nada. Tem tanta pedra preciosa no nosso Estado e o povo não tem nada, vive na miséria”, reclama.
A aposentada defende que o próximo prefeito olhe com uma atenção especial para a área da saúde. “O povo está se acabando nos postos de saúde. Isso se admite? Eles estudaram para trabalhar em prol do povo. Nós precisamos de médicos. Não podemos nos curar como os índios se curam, só com casca de pau e folha. O Pronto Socorro da 14 de Março não tem nem cadeira para os médicos sentarem para fazer uma merenda. A comida que vai para lá é pior que a que vai para o presídio. Isso é certo que se faça? Os médicos estudaram, muitos foram para outros estados fazer o curso e agora têm que passar por isso”, dispara. (O Liberal)

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