quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A greve que entra para a História

Os trabalhadores em educação pública do estado do Pará entraram para a história. Afinal, estão protagonizando a maior e mais duradoura greve da educação paraense. São 53 dias sem aulas. Jamais os profissionais da rede estadual de ensino permaneceram por tanto tempo de braços cruzados.
Engana-se quem imagina que foram 53 dias de descanso ou “pernas pro ar”, pois quem acompanhou os rumos do movimento grevista, reconhece que nossos heróis e heroínas não descansaram nem um segundo nesta batalha de “Davi contra Golias.” Marchas pela Educação, ocupações de órgãos públicos, spray de pimenta, fome, sede, assembléias quase que diárias, panfletagens e reuniões de negociação.
É uma greve diferente! Não é uma greve dos trabalhadores em educação pública do Pará, mas uma greve da Educação do Pará, em que os profissionais de educação, os alunos e seus pais de braços unidos saem às ruas para exigir uma educação pública de qualidade. Na verdade, protestam nas ruas pelo Pará, ou melhor, pelo Futuro do Pará.
É como se tivéssemos chegado ao limite. Visto que há décadas a educação pública de nosso estado passa por um processo de destruição e abandono. Nenhum governo priorizou a educação. Nenhum! E não podemos negar que houve tentativas de nos iludir desde kits capengas até o pacto dos mudos.
Educação pública de qualidade se faz em escolas com material pedagógico, infraestrutura adequada, alunos incentivados e professores bem remunerados. Sonho bem distante da realidade a qual vivenciamos em que faltam: carteiras, quadros brancos, regularidade da merenda escolar, manutenção nos ares-condicionados – quando existem – e infraestrutura apropriada. Nossas salas de aula se assemelham às senzalas do Brasil colonial, quentes e sem expectativas de um futuro melhor.
Alguns poderiam me questionar: Mas a greve é prejuízos aos alunos? Sem dúvida alguma, nossos alunos já estão no prejuízo, não apenas por 53 dias sem aulas, mas por lhes ter sido furtado o direito constitucional de ter acesso a uma educação pública de qualidade em toda a sua vida estudantil. O prejuízo perdurou por todo o ensino fundamental e médio.
Chegou à hora Pará!É um momento ímpar para darmos a voltar por cima e começarmos a escrever uma nova página da história da educação pública do Pará, em que finalmente ela seja priorizada de fato.
Assim, solidarizo-me aos trabalhadores em educação pública do estado do Pará e apelo ao governador Simão Jatene para que o bom senso prevaleça. O momento não é de tentar impor autoridade a qualquer custo ou ataques. O momento é da vitória da EDUCAÇÃO!

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