Os trabalhadores em educação pública
do estado do Pará entraram para a história. Afinal, estão protagonizando a
maior e mais duradoura greve da educação paraense. São 53 dias sem aulas. Jamais
os profissionais da rede estadual de ensino permaneceram por tanto tempo de
braços cruzados.
Engana-se quem imagina que foram 53
dias de descanso ou “pernas pro ar”, pois quem acompanhou os rumos do movimento
grevista, reconhece que nossos heróis e heroínas não descansaram nem um segundo
nesta batalha de “Davi contra Golias.” Marchas pela Educação, ocupações de órgãos
públicos, spray de pimenta, fome, sede, assembléias
quase que diárias, panfletagens
e reuniões de negociação.
É uma greve diferente! Não é uma greve
dos trabalhadores em educação pública do Pará, mas uma greve da Educação do
Pará, em que os profissionais de educação, os alunos e seus pais de braços
unidos saem às ruas para exigir uma educação pública de qualidade. Na verdade,
protestam nas ruas pelo Pará, ou melhor, pelo Futuro do Pará.
É
como se tivéssemos chegado ao limite. Visto que há décadas a educação pública
de nosso estado passa por um processo de destruição e abandono. Nenhum governo
priorizou a educação. Nenhum! E não podemos negar que houve tentativas de nos
iludir desde kits capengas até o pacto dos mudos.
Educação
pública de qualidade se faz em escolas com material pedagógico, infraestrutura
adequada, alunos incentivados e professores bem remunerados. Sonho bem distante
da realidade a qual vivenciamos em que faltam: carteiras, quadros brancos, regularidade
da merenda escolar, manutenção nos ares-condicionados – quando existem – e
infraestrutura apropriada. Nossas salas de aula se assemelham às senzalas do
Brasil colonial, quentes e sem expectativas de um futuro melhor.
Alguns
poderiam me questionar: Mas a greve é prejuízos aos alunos? Sem dúvida alguma,
nossos alunos já estão no prejuízo, não apenas por 53 dias sem aulas, mas por lhes ter
sido furtado o direito constitucional de ter acesso a uma educação pública de
qualidade em toda a sua vida estudantil. O prejuízo perdurou por todo o ensino
fundamental e médio.
Chegou
à hora Pará!É um momento ímpar para darmos a voltar por cima e começarmos a
escrever uma nova página da história da educação pública do Pará, em que
finalmente ela seja priorizada de fato.
Assim,
solidarizo-me aos trabalhadores em educação pública do estado do Pará e apelo
ao governador Simão Jatene para que o bom senso prevaleça. O momento não é de
tentar impor autoridade a qualquer custo ou ataques. O momento é da vitória da
EDUCAÇÃO!
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